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Intervenção no Congresso Federativo do PS/Baixo Alentejo, Almodôvar, 21 de Setembro de 2014

Caros e Queridas Camaradas,

Permitam-me, em primeiro lugar, uma saudação muito especial ao nosso camarada Presidente da Federação do Baixo Alentejo, Pedro do Carmo, pela eleição esclarecedora e clarificadora do mandato que desempenhou.

Eu, na última eleição federativa, não fui, como aqui alguns saberão, apoiante de nenhum dos candidatos, pelos motivos que apresentei na altura.

Mas tenho e devo reconhecer que, tu Pedro do Carmo, conseguiste o que há algum tempo tinha vindo a ser difícil de conseguir: UNIR O PS no BAIXO ALENTEJO, com toda a natural, e salutar, divergência de opiniões e formas de encarar a atividade política. Todos nós, eleitos locais, ou membros pertencentes a várias entidades com responsabilidade nas nossas comunidades, sabemos o quão difícil é estabelecerem-se consensos e acordos...

Quero, nesses termos, saudar este mandato, o teu primeiro (e também por isso, teoricamente mais difícil) à frente da Federação do Baixo Alentejo.

Devo dizer que, mais do que nunca, que a altura é de União e de Convergência com vista a defesa e proteção da nossa região.

Como diz o Pedro do Carmo, o Baixo Alentejo Avança com o PS, mas com as outras forças políticas, temo-lo visto ultimamente, o caminho é o da regressão e do abandono.

Não fossem as obras do Alqueva, compromisso assumido e reiteradamente consensualizado no País, por muitas pessoas de vários partidos, e neste momento a nossa região seria, ainda mais, estamos certos, um “cemitério de promessas” e um “estaleiro ao abandono”.

É conhecida a minha opinião sobre o abandono das obras da Auto-Estrada do Baixo Alentejo e do IP2, bem como o do quase abandono do projeto do Aeroporto de Beja.

No primeiro caso, sucessivamente se tem dito (desde as eleições europeias) que as obras serão parcialmente retomadas. Estamos em crer que o mesmo argumento será apresentado perto das eleições legislativas. No segundo caso (Aeroporto) a desvalorização e abandono do projeto está a passar pela (ainda) indefinição do seu papel e da incerteza de investimentos futuros, como o da própria unidade de desmantelamento de aviões, passando pela (muito próxima) substituição do diretor por um mero operacional técnico.

Caros e Queridas Camaradas,

Este Governo (composto por os 2 partidos que suportam a coligação) não tem estratégia para a região, porque não está nela minimamente implantado e enraizado. O partido maioritário a nível nacional é o 3.º na nossa região e o parceiro de coligação aparece num distante quarto lugar...

Não há estratégia para o “pós-Alqueva”, para as acessibilidades, para os projetos que estruturam a região, nem, tão pouco, os dirigentes regionais se encontram ao nível adequado de gestão e administração que lhes é exigido.

Temos que todos continuar a denunciar esta situação, porque sabemos que somos melhores e mais qualificados para lidar com o futuro da nossa terra e da nossa população.

Como sabem, tenho aparecido, em muitas ocasiões, como face visível e contestária a esta política, muitas vezes até, de forma injusta pelo facto dos efeitos não se repercutirem só no território do meu Concelho...

Mas isso acontece, caros e queridas camaradas, porque não tem havido, de forma geral e declarada, manifestações contra estas injustiças que nos têm estado a fazer, desde que o Governo do País passou para a Direita...

Quero dizer com isto que, até no tempo em que o PS era Governo e José Sócrates Primeiro-Ministro, fizemos valer a nossa

insatisfação e repúdio pelo encerramento de escolas e outros serviços de proximidade, que, já nessa altura, estavam a ser retirados às nossas comunidades. O que nos valeu, uma “reduzida compreensão” por parte de alguns camaradas, mais diligentes na defesa do Partido, em detrimento da Região...Mas ficamos de consciência tranquila e com confiança local reforçada!

Quero dizer com isto, que, como reconhecerão alguns e por muita razões, eu dispensaria a atenção mediática e social que nos têm, quanto a mim, exageradamente, conferido, se isso significasse uma mais alargada “frente de contestação” que não tem existido à nossa esquerda (com o PCP mais interessado em atacar o PS na oposição do que os Partidos de Direita no Governo) mas que também não tem existido, e lamento dizê-lo, no nosso próprio partido.

Os taticismos para “não melindrar” uns e ser “menos agressivos com outros” pagam-se caros, no futuro...

Devemos ser mais exigentes com os nossos representantes ao nível da freguesia, do Município, da Assembleia da República e da Federação. Na situação que vivemos esta é a mais pragmática e útil opção para todos.

Por último quero apenas dizer que tem sido extraordinariamente enriquecedor ser militante do PS no Baixo Alentejo, e foi-o, durante este processo (verdadeiramente) vencedor de eleições primárias. A dignidade e o exemplo demonstrados pelos militantes do PS, no Baixo Alentejo, deverão servir de alento reforçado à falta de sensatez que tem, infelizmente, grassado no nosso Partido, durante este período, a nível nacional.

É fundamental que continuemos a renovar o sistema político (sendo que as eleições primárias constituem um precedente que já não pode ser ignorado por outros partidos democráticos e mesmo no nosso, para escolhas futuras) e que, de forma natural e muito sensível aos novos tempos, se procurem soluções de renovação que sirvam as pessoas, a região e o País. Não podem ser sempre as mesmas pessoas a fazer o mesmo, todo o tempo...

O PS está a dar um grande contributo à Democracia e, estamos certos, todos os eleitos da nossa Federação, estarão à altura das exigências.

Muito obrigado.