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Crónica VII da Rádio Pax - A Geringonça...Funciona!

A Geringonça... Funciona!

 

Foi pública e conhecida, por quem se interessa por estas coisas, a minha oposição ao acordo partidário que viabilizou a atual solução governativa em Portugal.

 

Pensei na altura que representaria uma "perigosa" submissão do PS aos interesses mais (digamos) radicais dos seus parceiros de Acordo.

 

Esse meu pensamento alicerçava-se não tanto na flexibilidade que o maior Partido teria para desenvolver políticas governativas consensuais no âmbito do Acordo, mas sobretudo na capacidade que Bloco de Esquerda e Partido Comunista teriam em seguir uma orientação mais "Moderada" na habitual tradição política do Partido Socialista.

 

A reflexão que fiz, na altura, teve como base o próprio discurso eleitoral dos partidos e a sua "praxis" pública que sempre foi marcada por assinaláveis antagonismos e notórias oposições, os quais sempre impediram qualquer consenso alargado entre os partidos da Esquerda portuguesa.

Tudo isto foi esbatido com 4 anos de vigência de um Governo Radical de Direita, que se predispôs a ir "Além" do Programa de Assistência Financeira ao País,e que abandonou todo e qualquer possibilidade de acordo com o chamado "Centro" Político, que castigou (muito além do que era exigido internacionalmente) o povo português de forma quase...autista!

O desprezo de uma maioria que acabou, limitou e destruiu as expetativas do Povo português foram a maior ajuda para a constituição formal da chamada GERIGONÇA!

 

Depois das negociações que conduziram à aprovação do primeiro orçamento (o de 2016) eis que, com toda a capacidade de diálogo e de consenso foi aprovado o Orçamento de Estado para 2017.

 

Depois de em 2016 já ter sido autorizada a contratação de Recursos Humanos para todas as autarquias, de ter havido a possibilidade de recurso ao crédito para Câmaras Municipais e Freguesias com saúde financeira, bem como um aligeiramento da restritiva legislação imposta pelo anterior Governo, o atual Orçamento mantendo tudo isto, permite uma maior transferência financeira para todas as autarquias (aumento em quase 3% da verba total) e confere uma expetativa totalmente diferente no futuro dos Portugueses.

 

Este Orçamento é um justo e equilibrado exercício financeiro, que honra os compromissos com os portugueses, defendendo as famílias e os seus rendimentos, garantindo a confiança dos cidadãos, reforçando o (antes abandonado) Estado Social, tentando promover a coesão social do país.

 

É pois uma tentativa em recuperar o tempo perdido e devolver a esperança ao nosso destino coletivo.

 

E isso não seria possível com um Governo PSD/CDS como responsáveis pelas políticas governativas, bem...pelo menos não com esta liderança do PSD (e colaboração do CDS/PP)!

Por essas e outras razões, entendo que a maioria em que se suporta a solução governativa atual é de grande utilidade e importância para o País.

 

Temos um governo legitimado pela maioria absoluta dos deputados na Assembleia da República que permitiu que se definisse uma solução política que já vai para o segundo ano de existência, respeitando os compromissos internacionais, dignificando a imagem de Portugal sem uma submissão CEGA a países mais relevantes na cena europeia.

 

Conseguiu-se uma solução que viabilizou um sentimento maioritário da população e que, ao contrário do que se passou durante quase um ano aqui bem ao lado, em Espanha, permitiu a governabilidade do País, legitimado democraticamente.

 

Não fosse pelas razões que acabei de enunciar e fosse só por esta última questão, ao nível da governabilidade, por razões Pragmáticas já tinha valido a pena existir a...Geringonça!

A Democracia, o País e as Pessoas saíram Reforçados.