Tomada de Posse da Câmara Municipal e Assembleia Municipal de Ferreira do Alentejo

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Dr. Palma Lopes
Exmos. Eleitos Locais do Concelho de Ferreira do Alentejo
(Vereador Nuno Pancada, Manuel Reis, João Fragoso, Lurdes Hespanhol)
Exmos. Trabalhadores da CMFA
Exmos. Senhoras e Senhores Convidados
(com particular destaque para o PCM de Aljustrel, Ourique e Alcácer do Sal)
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Desde já quero manifestar o nosso mais profundo reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por todos os autarcas do Concelho de Ferreira do Alentejo que agora cessam o mandato para o qual foram eleitos.
Sem o seu empenho, espírito construtivo e dedicação à causa pública, não teria sido possível que a nossa terra continuasse no caminho do desenvolvimento e progresso, com o regular funcionamento das instituições autárquicas, respeitando sempre o interesse da nossa comunidade, razão primeira e última da nossa eleição.
Quero, naturalmente, expressar, nesta ocasião, o nosso desejo de maiores felicidades a todos os que agora iniciam funções e que, de forma muito direta, continuam ou passarão a estar envolvidos na defesa dos interesses da nossa comunidade e da nossa terra.


Destaco este aspeto, porque o envolvimento cívico tem sofrido revezes constantes e o Poder Local, a administração e gestão dos recursos da nossa comunidade, é a prova provada que a identificação das pessoas com a política tem futuro, ao contrário do que muitos dizem...
Só trabalhando em conjunto, com o mesmo objetivo, conseguiremos aquilo que todos queremos: mais desenvolvimento, melhor qualidade de vida e mais futuro para as pessoas e para o nosso Concelho.
Com as eleições de 29 de Setembro terminou o período de campanha eleitoral, sempre atreita a excessos verbais e outros que, estou certo, não correspondem à verdadeira natureza de todos nós, sendo agora altura de unirmos esforços para que possamos todos trabalhar e colaborar para obtermos o resultado que ambicionamos: uma terra com maior dinâmica e com fortaleza reforçada para encararmos os (ainda mais) difíceis tempos que se avizinham...
O nosso Concelho, como é do conhecimento público, conheceu nos últimos anos, uma dinâmica acentuada, claramente em contra-ciclo com o resto do País, o que nos deve deixar naturalmente satisfeitos, mas com a noção do acréscimo de responsabilidades que advêm de tal facto.
Ferreira do Alentejo mudou muito nos últimos anos e devemos todos, enquanto comunidade, tentar adaptar-nos à mudança e darmos todos o contributo para que isso seja uma realidade que EFETIVAMENTE nos traga VANTAGENS REAIS.
Saber ter os “pés bem assentes na terra” ao mesmo tempo que tentamos vôos mais altos vai ser esse o nosso grande desafio...
Se somos neste momento inquestionavelmente a “Capital do Azeite” e destino de grandes investimentos neste sector e na agro-indústria, é necessário também que as empresas já presentes no nosso território, para além de entidades empregadoras, que meritoriamente cumprem o seu papel, procurem também colaborar e envolver-se no processo de desenvolvimento que também lhes pertence, respeitando o meio-ambiente, as pessoas e o nosso território.
Este aspeto – respeito pelo território e pelas pessoas – é, para nós, absolutamente fulcral...
Foi por isso que, de forma determinada e persistente, continuamos a procurar promover e potenciar os investimentos aqui realizados pelo Estado – Aeroporto de Beja e Auto-Estrada – e não desistiremos enquanto essa “falta de respeito” demonstrada pelo semiabandono e abandono destes investimentos não terminar.
Somos pessoas e território que também merecem ter hipótese de procurar o desenvolvimento.
E é também por isso que, com todas as nossas forças e até onde pudermos, fomos, somos e seremos contra o fim de QUALQUER serviço público de proximidade (Escolas, postos médicos ou outros serviços...) pois isso empobrece a nossa terra e aumenta, naturalmente, o risco de maior desertificação.
A tentativa de os territórios mais pobres e fracos do nosso País terem que suportar erros e enganos de governantes é, por nós considerado, como algo de profundamente errado e injusto e, nesse sentido, quero demonstrar aqui, perante vós, neste acto solene da maior importância, que, dentro das nossas competências e legalidade, procuraremos SEMPRE, MAS SEMPRE que o interesse da NOSSA TERRA esteja em primeiro lugar!

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Para as Câmaras Municipais, os tempos que se avizinham (infelizmente e para desagradável surpresa de todos nós) ainda vão ser piores dos que já passaram...
Dos rumores que não devem divergir muito da verdade, fala-se num Orçamento de Estado para o próximo ano, de acrescidos cortes e forte redução de verbas para as autarquias.
A própria nova Lei das Autarquias Locais ataca severamente a nossa capacidade financeira.
Quer isto dizer que depois de vários anos, em que pudemos realizar obras para dotar o nosso Concelho de infraestruturas, e equipamentos de coesão social e territorial, encontramo-nos num tempo em que, para não prejudicar as gerações futuras e assegurar a sustentabilidade da CMFA, deveremos gerir com mais rigor os, cada vez mais escassos, recursos financeiros.
Ninguém, pois, deve esperar mais obras de cimento e betão, pois essas e as fundamentais, já foram, felizmente, asseguradas.
Terão sim, da nossa parte, uma grande preocupação em tentarmos criar emprego (por via do investimento privado que para aqui consigamos atrair) na aposta do Desenvolvimento Social (com o apoio aos que mais necessitam) a aposta, na medida das possibilidades, na Educação e na Formação de jovens e menos jovens.
Enfim, na tormenta que se avizinha de grandes perturbações no funcionamento de serviços do Estado, de apoio social e anunciadas reduções de vencimentos e de (por essa via) emagrecimento da economia, o grande desafio será manter a PRESTAÇÃO dos serviços públicos que atualmente asseguramos com maior eficiência e eficácia, pois isso será essencial para a nossa própria existência enquanto Câmara Municipal.
Procuraremos, como sempre o temos feito, dar resposta ao que nos exigem e resolver o que está menos bem.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Quero que saibam que, penso, este será o mandato mais difícil e exigente de toda a história do Poder Local Democrático em Portugal, por tudo o que acabei de referir.
Será também o meu último mandato à frente da Câmara Municipal.
Mas quero-vos dizer que, apesar de todas as dificuldades e limitações, não estou menos entusiasmado e satisfeito pelo cargo que honradamente me confiaram e que, com muita força e energia, irei desempenhar nos próximos 4 anos.
Confiamos nas nossas capacidades e na nossa equipa para superar todas estas dificuldades e, apesar dos muitos obstáculos que se avizinham, acreditamos que o nosso País vá sair deste ciclo terrível que atravessamos, com governantes inaptos para a função e que nalguns casos estão a condenar, por completo, inteiras regiões a um maior abandono e desertificação.
Temos esperança que o próprios portugueses, com toda a capacidade e tenacidade que nos caracterizam em alturas de dificuldade “levantem hoje de novo o esplendor” de Portugal.
Todos nós devemos dar um grande contributo para que isso aconteça.
Da nossa parte, cá estamos para o que entenderem ser necessário e manifestando sempre a nossa colaboração e disponibilidade para ser parte da solução e NUNCA parte do problema, para ajudar, com espírito construtivo e positivo.
Temos TODOS o dever de fomentar um clima de cooperação e de ajuda.
A nossa terra precisa de TODOS e TODOS PRECISAMOS DA NOSSA TERRA!

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!

Viva o Concelho de Ferreira do Alentejo!

Viva Portugal!

Muito Obrigado.