XIV Congresso Nacional do Partido Socialista

Caros e Queridas Camaradas,

O Partido Socialista demonstrou com esta eleições internas que é um partido vivo, dinâmico e sobretudo democrático.
Devemos orgulhar-nos de ter tido a possibilidade de eleger o nosso Secretário-Geral directamente, onde cada um pôde exprimir de uma forma livre o seu sentido de voto.
O debate e reflexão internos a que assistimos, em virtude da presença de três candidaturas, foram extremamente importantes para o futuro do Partido.
Porém, não esqueçamos que se é certo que foi necessário como um todo, houve partes que (grande maioria de nós) certamente dispensaria.


Houve casos em que a responsabilidade nacional dos intervenientes deveria "dar o exemplo" ao todo nacional e evitar-se momentos algo lamentáveis, que pensávamos nós, só poderiam ocorrer a uma escala mais reduzida.
Isto para dizer que o público em geral tem grande dificuldade em perceber como é que um camarada utiliza um meio de comunicação social nacional para denegrir em termos pessoais um outro camarada de partido, ainda mais quando os argumentos utilizados para tal fim mais pareceriam os dos nossos adversários políticos...
Não obstante estes constrangimentos, convém destacar o grande empenhamento que existiu nesta campanha eleitoral por parte de muitos camaradas e que não deverá esmorecer, mas sim transformar-se em força e dinâmica virada para o exterior.
A votação obtida pelo nosso camarada Secretário-Geral, concede-lhe autoridade e legitimidade, mas também, em consequência, responsabilidades acrescidas.
O rejuvenescimento do partido (e não estamos a falar apenas em termos de idade de militantes) deverá ser uma prioridade política. Não poderão nem deverão ser "sempre os mesmos"(e sublinho este aspecto) a "face visível" do PS. Os portugueses querem uma esquerda moderna e nova com novas pessoas e novas formas de encarar a actividade política.
Para além da renovação interna é com grande agrado que constatamos a proposta do camarada Secretário-Geral em "recuperar o espírito dos Estados Gerais" de forma a entrarem no Partido novas ideias qualificadas e com espírito de futuro.

Camaradas,

Todos temos noção que é urgente a substituição deste Governo. Um governo com um Primeiro-Ministro que não se submeteu ao voto popular (nem sequer ao voto dos militantes do seu próprio partido, como o nosso Secretário-Geral). Que, numa tentativa obsessiva de cumprimento da meta de 3% do défice das finanças públicas tudo e todos sacrifica em prol desse objectivo que, o resto da Europa põe em causa, aumentando a situação grave de desigualdade e carência sociais num país onde existe a maior percentagem da população da União Europeia abaixo do limiar da pobreza. (apesar de assessores governamentais que auferem salários superiores ao Presidente da República Portuguesa, e a existência de reformas milionárias demasiado frequentes de altos cargos públicos constituírem uma afronta moral para a res-publica e demais funcionários do Estado.)
A intervenção na área social, como o foi no passado, deverá ser a principal marca diferenciadora de um Governo PS de Esquerda Moderna relativamente a outro da Direita populista e conservadora. A pobreza, um dos aspectos mais negativos (que ainda esta semana foi objecto de atenção) e que nos deverá envergonhar a todos, deverá ser a principal prioridade política do Partido Socialista. A justiça social não se apregoa...pratica-se! E uma esquerda nova, mas consciente das suas responsabilidades, não poderá demitir-se desse papel!
A tolerância de ideias e pensamento deverá ser outra das marcas de governação PS. Queremos uma sociedade aberta e inclusiva onde a liberdade de pensamento e de acção verdadeiramente aconteça e não seja condicionada por meros interesses particulares, partidários, ou corporativos como aconteceu por exemplo no caso da IVG.
O desenvolvimento sustentável e harmonioso do nosso território nacional é, a todos os títulos essencial para podermos pensar num país mais justo e coeso. Não pode continuar a assistir-se a uma "sangria demográfica" do interior do país, onde também os serviços públicos de proximidade (imprescindíveis ao bem-estar das populações e como factor de consolidação da própria malha humana) encerram à velocidade estonteante de um neoliberalismo centralista insensível aos que menos oportunidades têm...
A, recentemente anunciada, introdução de cobrança de portagens nas auto-estradas SCUT (que não deveriam ter custos para o utilizador) é exemplificativa que este Governo é inimigo declarado das populações do interior do país, que se virão mais penalizadas nas suas potencialidades de desenvolvimento.
A centralização administrativa a que assistimos constitui uma séria ameaça à coesão e sustentabilidade territoriais. Com esta contínua teimosia em não-descentralizar o Governo de Direita persiste em manter o país a várias velocidades, onde os mais distantes de órgãos e serviços de decisão se manterão cada vez mais afastados e esquecidos...
Por essa razão é essencial a instituição das Regiões Administrativas de forma a existir uma maior aposta no desenvolvimento regional (e com eficácia dos serviços públicos) que só poderá ser feita de uma forma coordenada, tendo uma visão próxima/local dos problemas e com legitimidade política e escala para os executar, dando efectivo cumprimento ao tão propalado Principio da Subsidariedade.
Estamos certos que, como ex-líder distrital de uma Federação do interior do país que foi, o nosso Secretário-Geral será muito sensível a estes argumentos e possa inverter a forma retrógrada como se encara o nosso próprio território....
É fundamental que se aposte no trinómio FIT. (Formação, Inovação e Tecnologia) como forma de tornarmos Portugal numa verdadeira Sociedade do Conhecimento.
A frase "a qualificação dos portugueses é imprescindível para o futuro do país" foi várias vezes repetida, mas poucas vezes posta em prática. É necessário uma adequação dos conteúdos educativos leccionados às novas tecnologias, não só a Internet, mas a todas as TIC.
A inovação deve ser fomentada e desenvolvida. Com as características que o país tem, à semelhança de outros (Irlanda) existem condições para nos afirmarmos a uma escala global. O PS tem a responsabilidade de mobilizar a sociedade portuguesa para este desafio.
A aposta na Tecnologia entenda-se não a mera utilização limitada de meios tecnológicos e que (numa velocidade progressivamente acelerada) se desactualizam - ou que anedoticamente, por exemplo, justificam o atraso na colocação de professores - mas o verdadeiro aproveitamento de todas as potencialidades e virtudes que eles oferecem de uma forma interactiva e habilitada.

Camaradas,

O Partido Socialista será Governo na próxima legislatura.
As responsabilidades são grandes e não podemos perder mais tempo.
POR ESSAS RAZÕES SAIBAMOS REFLECTIR SOBRE OS ERROS DO PASSADO E FAZER COM QUE ELES NÃO SE REPITAM.
NÃO SE DEVERÁ TER RECEIO DE DECIDIR E AVANÇAR PARA AS REFORMAS!
O PS e o país assim o exigem!

Obrigado.