XV Congresso da Federação do Baixo Alentejo do PS

Caros e Queridas Camaradas,

Começo por felicitar os vencedores e não-vencedores neste processo eleitoral de grande relevância para a nossa Federação.
Foi através do envolvimento direto de muitos que aqui estão hoje, que o nosso Partido, mais uma vez, deu uma grande lição às outras forças políticas de democraticidade na nossa organização!
Como é do conhecimento dos mais interessados, fiz a democrática escolha de não apoiar qualquer um dos candidatos à Federação. Fi-lo consciente e ponderadamente (como tento em tudo fazer na minha vida pessoal e cívica).


Não me arrependo de o ter feito, e se pudesse recuar no tempo, fá-lo-ia da mesma forma e conteúdo.
Porém, os militantes fizeram uma escolha que tem que ser respeitada, mas também, digo eu, enaltecida, pelo elevado grau de empenho e participação verificados nestas eleições.
Iremos ter um Presidente da Federação que foi eleito numa disputadíssima eleição e também por isso, saúdo a intenção de existirem listas únicas aos órgãos federativos, decisão que não só é lógica, como também é sensata e sábia, num partido com as características democráticas como é o PS.
Nestes termos, gostaria de realçar a importância em caminharmos, naturalmente em conjunto para os grandes desafios e exigências do nosso futuro próximo. A União de todos não só é importante como fulcral para a nossa credibilidade regional e nacional enquanto Partido que tem e terá sempre aspirações a ser alternativa de Poder.
Uma palavra de grande apreço e reconhecimento públicos pelo trabalho desenvolvido, enquanto Presidente da Federação, ao nosso camarada Luís Ameixa, que com grande sentimento de dedicação e devoção a esta causa, manteve vivo o nosso Partido e contribuiu para grandes e importantes vitórias eleitorais. O seu envolvimento direto, e o empenho que manifestou merece o nosso maior respeito e reconhecimento, que nunca é demais recordar.
O PS sempre se caracterizou por ter posições visionárias e mesmo (perdoar-me-ão a expressão de Vanguarda) e daí ter percebido, e tendo isso transmitido a sociedade, a necessidade, que os órgãos e cargos políticos deverão ser objeto de renovação e, constante questionamento…
(pena é termo-nos apenas ficado pelos Presidentes de Câmara Municipal, Presidentes de Juntas de Freguesia e, internamente, Presidente da Federação)
Como se viu em muitas entidades e se continuará a ver em muitas outras, um momento de mudança, mas acima de tudo, de renovação, é e será sempre necessário em todas as organizações para se assegurar o seu sucesso e futuro.
Nada dura para sempre, e cada vez mais todos nós deveremos pensar assim e ter a humildade democrática de o aceitar. Todos nós estamos onde estamos porque assim nos dispusemos, e assim votaram em nós, sempre de forma limitada no tempo, como deve ser em democracia!
Assim, este XV Congresso da Federação do Baixo Alentejo, também nesses termos, se reveste de especial importância porque trata de um momento de mudança e de novos protagonistas.
Novos protagonistas que deverão estar à altura das grandes mudanças, das grandes ameaças e também das grandes oportunidades que vivemos!
O ataque ao Poder Local (e consequentemente a todas as populações) o ataque aos políticos e à atividade política, um movimento demolidor contra o “aparelho do Estado” que acaba com serviços públicos na Saúde, na Educação, na Justiça, nas Freguesias e nos Municípios, protagonizado agora pelo ultraliberal governo do PSD/CDS, mas que, infelizmente, também já teve no passado reflexo no PS.
Se nós enquanto Federação não soubermos estar do lado das pessoas, das dificuldades que sentem no dia-a-dia, da desproteção social que sentem, no abandono que muitos territórios do interior irão sofrer nos próximos anos, quem o fará?
Estou plenamente convencido que esse foi, é e continuará a ser o nosso papel.
Devemos estar do lado de quem verdadeiramente precisa, combatendo a pobreza e as desigualdades sociais e devemos dizê-lo sem receio de estar a ofender A , B ou C por meras questões de tática política…

Caros e Queridas Camaradas,

A nossa região possui condições únicas de desenvolvimento (criadas pelo Governo PS). O tão ambicionado, mas sempre adiado, Triângulo do Desenvolvimento (Alqueva, Sines, Aeroporto) suportado pela Auto-Estrada do Baixo Alentejo estaria quase a funcionar em pleno, se o PSD não tivesse ganho as eleições (isto é que tem que ser verdadeiramente dito).
O Governo PSD/CDS abandona o Baixo Alentejo e o seu único deputado é contra o desenvolvimento da nossa região.
Temos que dizê-lo bem alto e denunciar aqueles que, dizendo-se baixo-alentejanos, estão apenas a pensar no que outros, fora da região, possam dizer deles…
Curiosamente, o silêncio ensurdecedor do Partido Comunista é bastante revelador daquilo que sempre tem acontecido na região – uma conjugação de esforços da extrema esquerda com a Direita e a extrema direita para atacar inimigo comum – o Partido Socialista.
Temos, pois, também aqui que, de forma clara e decidida, DEFENDER os PROJETOS ESTRUTURANTES ameaçados pelo Governo.

Caros e Queridas Camaradas,

A nossa região tem, igualmente, um conjunto de pessoas ligadas ao PS (nós pensamos que as melhores) que já têm dado provas nas Assembleias e Juntas de Freguesia, nas Assembleias e Câmaras Municipais, mas também no nosso tecido empresarial e outras instituições que merecem e devem ser mais acarinhadas. Uma saudação muito especial aqueles que não sendo militantes do PS, são, desde sempre e continuarão a ser socialistas “do coração”.
A próxima Federação, que terá um papel muito importante, visto representar o maior partido do Baixo Alentejo, terá que envidar esforços no sentido de modernizar o Partido e torná-lo mais funcional, capaz de responder rápida e concretamente às necessidades colocadas pelos militantes e estruturas/secções concelhias.
Um PS que procure envolver, PERMANENTEMENTE, muitas vezes durante o mandato, todos os militantes, valorizando o seu papel de “conselheiros e decisores” do Partido, e não apenas, por mais “úteis” que sejam, quando contam ou fazem falta para a aritmética eleitoral…
Ao nível externo terá, necessariamente, que assumir uma posição de confronto com o ataque brutal que o Poder Local e as pessoas está a sofrer neste momento, como uma Lei dos Compromissos Financeiros completamente desajustada da realidade e verdadeiramente estagnadora de toda a actividade municipal.
Uma Federação que deverá assumir sem tibiezas, que deveremos continuar a ser o maior Partido Autárquico da Região, mantendo as actuais autarquias e reforçando a nossa votação em muitas outras. Renovando listas autárquicas, conferindo dinâmica e mostrando a verdadeira força do PS…

Caros e Queridas Camaradas,

Estamos a atravessar um momento muito difícil para muitos baixo alentejanos.
O País está mal, a própria Europa está sendo posta em causa.
Vai-nos ser exigido a todos que comecemos a pensar de outras formas para tentarmos lidar com as ameaças que pairam sobre nós.
Não podemos perder tempo com eventuais discordâncias ou divergências que podem e devem ser debatidas internamente, mas que não podem nem devem constituir, elas próprias, um obstáculo à capacidade e à promoção da imagem externa do PS. Temos que ser fortes, unidos e coesos. Temos que ser determinados e empenhados na defesa da nossa região e daqueles que mais precisam.
Quero dizer ainda que, pessoalmente, estarei, coerentemente com a posição assumida, em termos de “simples inerência” na Comissão Política Distrital e ocupando os cargos concelhios para os quais fui eleito. Tenho esperança que os novos dirigentes federativos possam conferir ainda maior importância ao nosso PS de sempre…

Felicidades para TODOS!

Viva o PS!

Viva o Baixo Alentejo!