Notas III

Oui e Den *?

No momento que vos escrevo, François Hollande, candidato do PS francês às eleições presidenciais acaba de ser responsável pela (primeira vez verificada) derrota de um Presidente em funções”. Poderíamos especular sobre as razões (e possivelmente existiriam muitas…) mas o que verdadeiramente interessa para Europa e para Portugal é a posição de grande firmeza que Hollande manifestou em, continuando com a necessária austeridade para equilibrar as contas públicas na zona euro, promover políticas de fomento do crescimento económico.

Já se viu que (e Portugal ainda está nesse caminho) passar do 80 para o 8 ou, por outras palavras, por uma “política expansionista da despesa pública” para a redução (autenticamente draconiana) de prestações sociais básicas nas áreas da Educação e da Saúde, com o aumento brutal do “custo de vida”(redução do crédito, aumento de importos, etc) poderá provocar (em si mesmo) uma impossibilidade em regressar ao verdadeiro desenvolvimento económico. Com Hollande, Merkel terá que começar a atender aqueles que, como Draghi, Prodi e outros, defendem que a austeridade por si só nos levará à rotura e desgraça sociais. Não será, por isso de estranhar que a própria Chanceler (porventura antevendo o desfecho eleitoral em França) tenha proposto um “plano alargado de ajuda à recuperação económica da Europa” em que (pasme-se os que têm acerrimamente defendido a austeridade em si) a aposta deverá incidir em “Infraestruturas, Energias Renováveis e Inovação” (tudo aquilo que a Europa faz bem e é competitiva e que Portugal até tem…alguma experiência).
Preocupação deve motivar-nos a Grécia, onde os Partidos extremistas obtiveram resultados eleitorais muito relevantes (poder-se-ia dizer que seriam inevitáveis, dado a política de violenta austeridade prosseguida) e o Partido (PASOK) que em 2009 (há menos de 3 anos) tinha tido 44% teve agora…cerca de 14% (será que a Governação seria assim tão má?). Aqui estamos, claramente, num caminho radical, onde a austeridade já atingiu muitas pessoas e o protesto poderá significar a saída do EURO, algo que porá em causa a União Monetária e poderá agravar a pobreza naquele, e noutros países…

Criar o próprio negócio

Com as grandes limitações no emprego público, o desemprego a atingir valores (até há bem pouco tempo) impensáveis, com quase 40% de jovens sem possibilidade ingressar no mercado laboral e com a necessidade do País começar (rapidamente) a crescer economicamente, o sentido de Empreendedorismo adquire cada vez maior razão de ser e oportunidade. Criar o próprio negócio, contribuir individualmente ou em conjunto com outros “empreendedores” para o desenvolvimento de uma “ideia de negócio” é, nos dias que correm, uma “obrigação” e uma forma de aplicar o conhecimento teórico (Universidade) ou mesmo o empírico (experiência de vida), é isso, ou então (o que a maioria parte não deseja, apesar de outros a sugerirem) a Emigração…!
Se é certo que estamos noutros tempos, e a mentalidade individual não deverá ser tanto “o que o meu País/Região/Localidade pode fazer por mim, mas o que eu posso fazer por “eles”, não é menos certo que, para VERDADEIRAMENTE existir possibilidade de “empreender”, as entidades públicas e privadas, Administração Central, Autarquias, Organizações Empresariais, têm que estar na “linha da frente” para se criarem CONDIÇÕES para que isso aconteça. Nesta altura, um jovem que queira verdadeiramente avançar para o seu próprio negócio tem ao seu dispor vários instrumentos de apoio (microcrédito, apoios PRODER, etc) e se tiver ainda mais condições (lugar para a instalação de negócio) os riscos que corre são muito baixos. É como irá acontecer em Ferreira do Alentejo, ainda durante este ano, com a entrada em funcionamento do Ninho de Empresas/Centro de Desenvolvimento Económico. Ficam criadas as condições para acolhimento de negócios que poderão ter sucesso e contribuir para o desenvolvimento económico da região e do País.

Todo o Alentejo deste Mundo

Ainda não vi ( mas assumo que seja por falta de minha atenção) alguém verdadeiramente a destacar o papel que a OVIBEJA tem tido na nossa região. Numa altura de grande depressão coletiva, de fortes limitações económico-financeiras, a “grande feira do sul” , mais uma vez, veio mostrar uma região que continua (e terá ainda mais no futuro!) a ter enormes potencialidades. A ACOS tem-se empenhado fortemente num certame que, claramente, põe (durante a sua realização) a “região no mapa”! Por essa razão merece a minha (nossa) grande consideração e apreço, pelo esforço e por ter conseguido manter o nível das edições anteriores. Pelo projeto regional que é, pelo impacto que tem, a OVIBEJA dignifica a região e verdadeiramente é “orgulho” dos seus habitantes!

*Den – Não em Grego