O Aeroporto de Beja tem agora, mais futuro do que nunca!

Tendo sido um dos responsáveis diretos a 13 de abril de 2011, pelo “vôo Inaugural do Aeroporto de Beja”, em que, claramente, se pretendeu dar um claro sinal público das enormes potencialidades daquela infraestrutura aeroportuária e, ao mesmo tempo, da necessidade/possibilidade de maior envolvência dos agentes económicos públicos e privados em todo o processo, sempre me senti (e penso que sempre sentirei) da grande responsabilidade em continuadamente promover o Aeroporto e ver a ser aproveitado as melhores das suas capacidades.
Posteriormente ao “vôo inaugural” foram realizadas várias tentativas de o dinamizar, conferir notoriedade e incrementar a sua utilização que, infelizmente, não tiveram continuidade e esmoreceram face ao desinteresse e mesmo apatia de entidades públicas regionais e disponibilidade reduzida dos poderes públicos para o efeito. Não quero referir ninguém em particular até porque, quem se interessa por este assunto concreto, saberá o que efetivamente se passou...
Também logo a seguir, sabe-se lá bem porque (ou se calhar até se sabe) houve várias tentativas de transformar o Aeroporto apenas numa “oficina de aviões” (manutenção) e até se criaram “grupos de trabalho” para dizer isso...
Logo depois, veio a ideia de “parque de estacionamento”, tendo em conta a manifestação de interesses de empresas do setor...
As autoridades públicas (sobretudo Governos) mantiveram-se passivas, silenciosas e desligadas de um processo que, a partir de 2012 já tinha tido um revés com a privatização da ANA AEROPORTOS, que passou a pertencer ao Grupo Francês VINCI.
Ao longo da vida do Aeroporto, quase logo a seguir ao fim de algumas operações de tráfego turístico que tiveram lugar, simplesmente a componente tráfego de passageiros foi ignorada e completamente rejeitada.
Porém, durante o verão passado, fruto do assumido “esgotamento” da capacidade do Aeroporto Humberto Delgado, vivemos um corropio de vôos charter com destino às Ilhas Canárias e Baleares e ficou, mais uma vez, provado que, não obstante as limitações quantitativas, o Aeroporto tem condições OBJETIVAS para acolher tráfego de passageiros.
Como estamos então, neste momento?
Com expetativas no âmbito da manutenção, com a, muito em breve, instalação de um hangar da empresa MESA, que, sendo a primeira empresa a instalar-se significa, logo neste momento, 150 postos de trabalho diretos, num total de 30 milhões de euros de investimento, vem denotar neste momento da importância que QUALQUER investimento no aeroporto significará para a nossa região.
Tudo leva a crer que, já no próximo verão, a Europa vai ter desviar mil voos diários no verão para evitar "quase colapso” (Jornal Económico de 17 de março de 2019) pelo que, face ao (muito propalado) esgotamento do Aeroporto Humberto Delgado e a sobrecarga do Aeroporto de Faro vamos ter, quase garantidamente, movimento acrescido em Beja…
Poderemos, então, começar a ser otimistas em relação ao Aeroporto (embora queiramos sempre mais e com a rapidez que não acontece com as nossas expetativas imediatistas…!)
Refira-se que o próprio Aeroporto de Faro, por exemplo, levou quase 30 anos a começar a ter, frequentemente, vôos charter…
Acima de tudo, convém referir que o Aeroporto goza, neste momento, de uma popularidade e consenso regionais que não tinha, na sua inauguração em 2011.
A própria Câmara Municipal de Beja assumiu, de forma estratégica e determinada, que o Aeroporto é uma infraestrutura fundamental para o Desenvolvimento da Região e que deverá empenhar-se, fortemente, na sua promoção e dinamização. Recordo que a primeira entidade a ser recebida pelo atual executivo da CMB foi a HIFly (investimento MESA) e que, desde aí, os contatos têm sido intensos e facilitadores para o desenvolvimento de iniciativas empreendedoras do projeto.
Seja ao nível das várias autarquias, seja na própria opinião pública regional, o Aeroporto de Beja é hoje um assunto incontornável e que merece o respeito e a expetativa da maioria.
Comprovamos isso pelo interesse que tem sido demonstrado (veja-se o caso do Grupo do Facebook com quase 50 000 membros) pelos vários intervenientes político-sociais, económicos, etc.
O Aeroporto está de boa saúde e prevê-se que ainda melhore quando, posteriormente, a este investimento da HiFly possam surgir outros, incrementando a importância da infraestrutura e quem sabe, indiretamente, “forçando” a proprietária da infraestrutura a investir mais do que é previsível neste momento.
Um Aeroporto que vai dando passos mais lentos do que quereríamos, mas que se afirma como, claramente, complementar à oferta existente no resto do País e que, estou certo, irá contribuir para que outros investimentos sejam assegurados na região, designadamente no aumento do alojamento e na melhoria das infraestruturas rodo-ferroviárias, fruto da dinâmica que irá acontecendo ao longo dos próximos anos.
É preciso que, na região, continuemos, como até aqui, sempre a acreditar nas suas potencialidades e contribuindo de forma positiva para o seu dinamismo e incremento.
Se assim for, é inevitável o seu sucesso e o efeito em toda a região.